Bio

Araquém Alcântara

Araquém Alcântara, 64 anos, é apontado pelos críticos como um dos precursores da fotografia de natureza no Brasil e um dos mais importantes fotógrafos em atuação no país.

Desde 1970, dedica-se integralmente à documentação da natureza e do povo brasileiro. Seu trabalho, de notoriedade internacional, tornou-se hoje uma referência nacional e fonte de inspiração para os novos fotógrafos. 

Em sua vasta produção constam 47 livros sobre temas ambientais, 22 livros em co-autoria, 5 prêmios internacionais, 32 prêmios nacionais, 75 exposições individuais, inúmeros ensaios e reportagens para jornais e revistas nacionais e estrangeiras. 

É o primeiro fotógrafo a documentar todos os parques nacionais do Brasil e a produzir uma edição especial para a National Geographic Society denominada “Bichos do Brasil” Entre seus prêmios mais importantes destacam-se o Prêmio Dorothy Stang de Humanidade, Tecnologia e Natureza – categoria Humanidade, 2007; Prêmio Fernando Pini, de melhor livro de arte do ano, com a obra “Mar de Dentro”, 2007; Prêmio Jabuti para o livro “Amazônia”, na categoria Arquitetura e Urbanismo, Fotografia, Comunicação e Artes, 2006; Prêmio “Von Martius”da Câmara de Comércio Brasil-Alemanha, categoria Natureza, 2002; Prêmio Abril de Jornalismo nos anos 1998,2001 e 2010; Prêmio Aquisição da Coleção MASP- Pirelli em 1996; Prêmio Associação Paulista de Críticos de Artes-APCA, pela exposição “Saudade Moderna”, na reinauguração da Pinacoteca do Estado, em 1986 e o Prêmio Unicef “Presença da Criança nas Américas”, Colômbia, 1981. 

Em 1997 lançou, após dez anos de pesquisas, “TerraBrasil” o livro de fotografias mais vendido no país. Atualmente na décima segunda edição, a obra já ultrapassou a casa dos 80 mil volumes comercializados.

Possui fotos em acervos de vários museus e galerias, entre eles o Museu do Café, em Kobe, Japão; Centro Cultural Georges Pompidou em Paris, Museu Britânico em Londres, Museu de Arte de São Paulo (MASP) e Museu de Arte Moderna (MAM), em São Paulo. 

Em 2001, foi escolhido pelo The British Museum, de Londres, para produzir a capa do livro “Unknown Amazon”, que acompanhou uma grande exposição etnográfica sobre a Amazônia. Neste mesmo ano, foi convidado pelo Ministério das Relações Exteriores para realizar a exposição: “Mudanças Climáticas”, no Memorial da América Latina em São Paulo, e, também como convidado do Ministério do Meio Ambiente realizou no Jardim Botânico do Rio de Janeiro a exposição “Parques Nacionais do Brasil” Em 2009 foi agraciado com a mais importante comenda do Exército, Medalha do Mérito Militar, pelos serviços prestados à cultura do Brasil. 

Priorizando a fotografia como expressão plástica e instrumento de transformação social, Araquém Alcântara é, hoje, um dos mais combativos artistas em defesa do patrimônio natural do país.



No princípio era o verbo, por Carlos Moraes

Aos 14 anos, Araquém Alcântara queria ser jornalista, quem sabe escritor. Atravessou e a adolescência embrenhada nos grandes sertões, veredas, de Lima Barreto, Machado de Assis, J. D. Salinger, Joseph Konrad e do próprio Guimarães Rosa. Em 1970, ingressou na Faculdade de Comunicação de Santos. Logo trabalhava na sucursal do Estadão e Jornal da Tarde. Tudo certo.

Uma noite foi ver uma sessão maldita que um francês, Maurice Legeard, organizava em Santos. O filme era A Ilha Nua, de Kaneto Shindo. Um filme quase sem história, ou palavras. Um casal vivendo com dois filhos numa ilha inóspita. E a faina diária de levantar, buscar água, preparar a terra, a comida, buscar água outra vez, a canoa no trapiche, os pássaros nas pedras, os remos contra as ondas. A força e a beleza da pura imagem. A foto como síntese do dizer. Araquém, transido no escuro, foi tendo uma epifania, um negócio. Saiu dali tonto, abalroado, chamado.

A primeira foto

No outro dia uma amiga, Marinilda, mostrava-lhe umas fotos bem comuns, de álbum de família, feitas por uma Yashica muito caseira. Ainda doente, febril do filme, Araquém mal olhou as fotos. Pediu foi a Yashica da Marinilda emprestada, comprou três filmes preto-e-branco e à noite foi para um cabaré do porto onde costumava ouvir bandas de rock e, com sorte, a canja de algum famoso de passagem.

Lá estava ele, a câmara na mão, dois filmes no bolso, nenhuma técnica na cabeça, nervoso como em toda primeira vez. Mesmo sem coragem para nada, obscuramente sabia que naquela Yashica, naqueles filmes, estava segurando uma vida. Saiu tarde, sem apertar o botão.

No ponto do ônibus, já amanhecia quando uma das moças do cabaré passou e desafiou:

– Quer fotografar, é? Quer fotografar? Pois então fotografa aqui. Levantou a saia e mostrou o sexo.

Foi sua primeira foto.

A primeira exposição

Não parou mais. As palavras já não serviam. Gaguejava nelas. O que interessava agora eram livros de fotografias, e imagens: Kurosawa, Bergman, Truffaut, Fellini, Wells, e os grandes fotógrafos, Cartier Bresson, Werner Bischoff, Ansel Adams, Ernest Haas.

Araquém escolhe o primeiro tema do seu primeiro ensaio: os urubus de Santos. Eles estavam sempre por ali, sempre próximos ao que sobrava, peixes mortos na praia, detritos em Cubatão. Próximos, sempre, à miséria.

Título meio panfletário de sua primeira exposição, em janeiro de 1973, no Clube XV de Santos: Os urubus da sociedade. Panos pretos cobriam as fotos dos urubus, os detritos da cidade, seu povo encardido. O visitante, para ver, tinha de desvelar, levantar a saia. Influência inconsciente daquela primeira foto no cabaré do cais? Pode ser, só que o obsceno ali era social. A exposição, aliás, foi tachada de comunista. E crivada de perguntas. Por que fotografar urubus, miseráveis, bichos que não vendem?

O urubu na calçada

Mas Araquém prosseguiu. Já tinha uma espécie de lema. Escolher, sempre, com o coração. Prosseguiu e não se arrependeu de começar apostando no urubu.

Uma tarde, ainda em 1973, voltava ele da cobertura de uma regata quando viu um urubu na calçada, na frente de uma peixaria. Da peixaria sai uma menina de uns três, quatro anos e se aproxima, encantada, do urubu. Araquém ajusta firme sua modesta Pentax Spotmatic. Pressentiu. Ia se certificar depois, a vida inteira, de que foto é pressentimento, a premonição de que alguma coisa de simples e grande vai acontecer.

Aconteceu. A menina se inclinou para afagar o urubu. O urubu já estava abaixando docilmente a cabeça quando dois homens saíram nervosos da peixaria. Um agarrou a criança, outro enxotou o urubu. Em seis fotos Araquém registrou a cena toda. Em seis palavras contou a história. Num segundo descobriu que ser fotógrafo é registrar a história instantânea deste mundo. Que é preciso estar ali quando a vida, de repente, levanta a saia – e mostra.

Na época, a revista Fotoptica publicava a seqüência do urubu na calçada.

Luzes na Juréia

E veio a terceira convocação. Em 1979, da parte de um vereador ambientalista de Itanhaém, Ernesto Zwarg Jr., uma das primeiras e valentes vozes a se levantar contra a depredação da Juréia por madeireiros e caçadores. Ernesto chamou Araquém para uma matéria sobre a região.

Começaram as viagens ao coração da Mata Atlântica. A pé, por matas virgens, subindo e descendo morros, dormindo sob grandes árvores. Foi outra revelação, como aquela da noite em que bateu a cara contra as imagens de Kaneto Shindo. Só que ali a ilha não era nua. Deus fez todas as florestas, mas a Mata Atlântica Ele editou: ali eram aquelas grandes massas de todos os verdes, pontilhadas de cores, córregos alegres, ikebanas que naturalmente se formavam, uma atrás da outra. A revelação, contra todo o horror, da harmonia possível. A descoberta da cor, no seu hábitat.

Uma vez, em plena Juréia, sentiu-se como que ungido para essa missão. Uma noite, foi contemplado com a visão da mãe-de-fogo, também chamada tucano-de-ouro, uma bola de luz com rabo de cometa que se desprende dos ermos e se sustenta por uns segundos no céu. Araquém teve tempo de chamar o caiçara Vandir e os dois juntos viram a mãe-de-fogo desaparecer atrás do pico do Pogoçá.

A onça no igarapé

Em 1980, vai Araquém a Manaus fazer uma matéria para uma empresa ligada à revenda de pneus. No hotel, entreouve o papo de dois garçons sobre uma onça sem rumo que andava aparecendo ali pelo igarapé do Guedes. Pressentiu.

Guiado por um dos garçons, saiu de barco à procura da onça.

Nem precisou navegar muito. Avistou-a logo, majestosa, brincando de morder troncos dentro d’água. Era uma onça com problemas. Fugida de um hotel para onde não queria voltar, fora, ao que parece, meio rejeitada entre as onças da alta floresta. Então vivia por ali, como todos os desadaptados, pelas beiradas.

Araquém revelou a foto, ampliou, vendeu para os gringos dos pneus e, com o dinheiro, comprou seu primeiro tripé, sua primeira Nikon.

Voltou profissional.

O velho Queco

Voltou mais equipado para uma fotografia de combate e denúncia, a social em preto-e-branco, em cores a ecológica. Nessa época, princípios da década de 80, o governo militar vinha engendrando duas usinas nucleares justo na região da Juréia. Araquém une-se aos protestos e produz uma foto lendária. É onde na história entra o pai, Manuel Alcântara, o velho Queco.

Velho Queco talvez esteja, na vida de Araquém, onde as coisas realmente começam. Porque era, ver foto, um ser especial. Aos dez anos saiu de casa, em Itajaí, Santa Catarina, “com dois sapatos furados e um ovo cozido”, para correr mundo. Foi grumete, cozinheiro de navio, caçador de tesouros na costa, andarilho, cujo único luxo era manter os sapatos mais ou menos em dia para poder entrar nos cinemas.

Analfabeto das letras deste mundo, falava, em transes, priscas línguas da África.

Pois num dia de abril de 1981 dispôs-se o velho Queco a acompanhar o filho fotógrafo para uma foto contra as usinas nucleares. Saíram de Peruíbe, andaram 36 quilômetros a pé, só foram parar em plena Juréia, na praia de Grajaúna, onde as tais usinas seriam construídas. Ali o velho Queco, que usava tranças, soltou a cabeleira, segurou contra o peito uma foto, solenemente emoldurada, mostrando cadáveres insepultos das vítimas de Hiroshima. E o filho fez a foto.

A foto correu o Brasil, correu o mundo, como um grito, um exorcismo. O velho Queco, profético, com uma tragédia no peito. Jornalistas deram matéria contra as usinas, os caiçaras passaram a dizer que era coisa do diabo.

Hoje a praia da Grajaúna faz parte da reserva ecológica da Juréia.

Livros, o livro

Mesmo frilanciando aqui e ali — pela IstoÉ cobriu as históricas greves do ABC — Araquém não abandona projetos e ensaios na direção de uma maior consciência ecológica e social.

O que recolhe na estrada começa a se transformar em livros. O primeiro foi com Burle Marx, sobre as árvores de Minas. Vieram esplendorosas obras sobre a Mata Atlântica e sobre o complexo lagunar entre os estados de São Paulo e Paraná chamado Mar de Dentro. Ambos pura celebração da beleza da nossa fauna e flora. Um pequeno livro sobre as favelas de Santos, num muito bem editado preto-e-branco, mostra que as trilhas do urubu não tinham sido abandonadas.

Em grande parte continuam, isso sim, inéditas. No livro sobre Santos, Araquém, nascido em Florianópolis, festejou a cidade onde vive desde os sete anos.

Nessas andanças todas, nessas longas comunhões com a natureza, Araquém já estava gestando sua grande obra sobre o Brasil a partir de uma visita aos seus 36 parques nacionais.

Este seria o grande projeto, o apaixonado ensaio. O livro.

A grande batalha

O livro começou. Quando começou? Na noite em que, transido, viu a ilha nua de Kaneto Shindo? Certamente, e também quando viu o urubu na calçada, a onça do igarapé, a mãe-de-fogo na serra.

Na prática, com mais certeza, pode-se dizer que começou cerca de dez anos atrás. Porque era um vasto, minucioso, ambicioso projeto. Registrar a magnífica herança ambiental brasileira, do Cabo Orange ao Banhado do Taim, em seus momentos de esplendor e misérias, de preservação e extermínio. Todo o Brasil. A grandeza da Floresta Amazônica, a delicadeza da Mata Atlântica, o alucinante das chapadas, os desatinos do Pantanal, os vastos cerrados e os primeiros desertos. Custasse o que custasse, demorasse o que demorasse.

Custou, demorou. O Brasil, às vezes, é longe, caro, confuso. Era preciso, o tempo inteiro, inventar matérias para revistas, batalhar passagens, hospedagem, comida, transporte, pegar carona em barco, avião, negociar, horas, um helicóptero. Pensar, o tempo inteiro, na logística da coisa. Dispor-se a ficar, como o velho Queco, com dois sapatos furados e um ovo cozido. Contar, felizmente, com o grande refrigério que foi o apoio de secretarias estaduais de turismo, funcionários do Ibama e todos aqueles inesperados e generosos amigos que se vão fazendo pelo caminho. Foram, sim, dez anos de idas e vindas, paixão e teimosia.

Todo este Brasil

Paixão, dificuldade, mas também muito encantamento. Hoje, quando Araquém fala de sua longa viagem de dez anos, do seu longo Brasil, bichos, gentes, paisagens vão despontando, despertando para um imenso mural de arrepiar.

As araras azuis do Pantanal, as delicadas flores dos campos de altitude, o rugido das onças e a abundância de peixes no Araguaia, os lobos-guarás da serra da Canastra, onde, num jardim japonês, nasce o São Francisco, as lagoas perdidas e os pescadores nômades dos Lençóis Maranhenses, a bíblica concentração de maçaricos, coscorobas e capororocas na Lagoa do Peixe, Rio Grande do Sul, os mal-humorados caititus e sobranceiros gaviões do Parque das Emas, as Araras Canindé do Parque Nacional Grandes Sertões, Veredas, onde brotam o Urucuia e o Carinhanha de Guimarães Rosa, as cidades de calcário e arenito da Serra da Capivara, no Piauí, legendadas de inscrições rupestres, os portentosos cânions dos Aparados da Serra, as perturbadoras figuras de pedra no Pico do Roraima.

E uma cidade: Xique-Xique do Igatu, na Chapada Diamantina. Ali um povo próprio habita o que restou do auge do diamante. Dona Poném, que com seus muitos gatos e sábia ironia mora sozinha num casarão perdido da Serra do Sincorá. Dona Alzira, que em centenários casarões garimpa, e encontra, jóias dos tempos em que aquilo tudo era um fausto só. De terno, chapéu e uma bengala adaptada da porta de ferro do cemitério, por ruas de pedra, seu Carmito, subdelegado honorário, exibe sua autoridade. E à tarde, na praça, é costume levar os pássaros de gaiola para passear. Em Xique-Xique do Igatu os pássaros saem, brincam por ali e depois voltam direitinho para a gaiola. E em noite de muita mariposa, a cidade é inteira invadida por sapos de toda a ordem. Enquanto lá, no único bar, seu Guina sabe que Araquém vai chegar exausto das andanças pela serra e congela a cerveja e separa a carne-de-sol.

A grande viagem

De todas, a viagem pela Amazônia, agora na virada de 1996 para 1997, foi a mais fantástica, a mais trabalhosa. De avião, de barco e a pé, quatro meses de andanças, 60 mil quilômetros percorridos, mais de 30 mil fotos. É o que custa a decisão de fotografar os sete parques nacionais daquele desmesurado mundo à parte. No Acre, para fotografar uma única e bela cachoeira do Parque Nacional da Serra do Divisor, foram necessários três dias de barco e dois a pé pela selva. A cachoeira se chamava Formosa, e merecia.

De avião, de barco, a pé, era um desafio a cada passo.

Em Roraima, o monomotor em que viajavam simplesmente desapareceu numa tempestade. Ficaram uma infinita meia hora entre nuvens pesadas, raios, e o desespero era completo até que vislumbraram a primeira nesga de céu azul. Na descida do rio Cotingo, também em Roraima, a canoa se desgovernou na correnteza, próximo a uma cachoeira. Na última hora, como nos filmes, foi possível agarrar-se a uma pedra, controlar o barco e salvar tripulação – e o equipamento.

Uma viagem à Amazônia não estaria completa sem uma subida ao Pico da Neblina, teto do Brasil, uma aventura de 17 dias. Partiram de São Gabriel da Cachoeira, passaram cinco dias nas aldeias dos ianomâmis, navegaram depois pelo rio Iá-mirim, entraram pelo Iá-grande, tomaram o Cauburis até o igarapé Tucano. Dali caminharam cinco dias pela mata até, enfim, a base do Pico da Neblina, já a dois mil metros de altura. Começa a escalada. São mil metros de escarpas, pedra, lama e vegetação rala. Como guias, dois garimpeiros valentes.

Foi uma subida na unha e na raça sem nem uma corda para ajudar. Em cinco horas chegam ao topo, um platô de uns vinte metros com a bandeira brasileira fincada numa pedra. Chove, faz frio, a névoa encobre tudo. A foto, a épica foto, quase nem é possível. Emocionado, exausto, defendendo-se do frio ao abrigo de uma pedra, Araquém conseguiu escrever em seu caderno de anotações: “Eu me sinto, mais que nunca, um viajante, um colecionador de mundos. Aqui, mais uma vez, consagro minha vida a registrar e repartir belezas”.

Este Araquém

Assim é que Araquém, com este Terra Brasil, completa seus 25 anos de pura fotografia. Ele que queria ser jornalista, quem sabe escritor, homem de palavras. Ele que uma noite, à meia-noite, foi salvo, ou condenado, por um filme japonês, numa sessão maldita. Entram também na história uma puta no cais, um urubu na calçada, uma mãe-de-fogo nas serras e, quem sabe, por tudo e sobre tudo, o velho Queco. Todos eles nos deram este Araquém que conhecemos, com sua profusão, sua teimosia e sua esplendorosa arte.



Colecionador de mundos

Rubens Fernandes Jr.

'Uma casa pertence a quem olha para ela', diz um antigo provérbio chinês. Para o fotógrafo Araquém Alcântara, seu trabalho de registro da paisagem brasileira é de tamanha grandeza e singularidade, que carrega o mesmo significado. Seu olhar imperturbável buscou nesses últimos 30 anos, praticamente, descobrir e admirar a beleza do Seu trabalho é pioneiro na direção de criar uma memória geográfica, de tecer uma memória e uma identidade visual nacional. Ele nos transporta para outros espaços, desconhecidos e de raríssima beleza, sem se iludir nem se deixar seduzir pelos efeitos fáceis e vulgares que a fotografia de natureza pode produzir.

Ao se deparar com a essência da beleza natural, Araquém sabe tirar proveito dos momentos de breve duração das luzes que não se repetem. A intensidade da luz disponível, distribuída num formalismo conceitual singular, faz de Araquém Alcântara um profissional com estilo próprio, único na fotografia contemporânea brasileira.

Ele cria uma atmosfera minimalista e, voluntariamente, impõe seu olhar contemplativo, esteticamente diferenciado, que faz emergir com otimismo e esperança a exuberância da nossa natureza e a dignidade do homem brasileiro que vive nas proximidades. Um olhar politizado e esclarecedor, que também quer denunciar as injustiças e a estupidez humana na sua eterna obsessão de violentar o outro e transformar os santuários ecológicos em inóspitos desertos.

Araquém desenvolve seu trabalho, de notoriedade internacional, através da construção de uma unidade interna rigorosa, com uma narrativa coerente e envolvente. Um trabalho sem ansiedade, necessariamente exaustivo e paciente, marcado pelo encantamento de fotografar para acumular memórias e para compreender a espantosa diversidade da ainda maravilhosa Terra Brasil.

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